Avaliação do suporte transfusional na quimioterapia de indução de pacientes com leucemia promielocítica aguda e correlação com prognóstico
Cristiane Camargo Omae
DISSERTAÇÃO
Português
T/UNICAMP Om11a
[Evaluation of transfusion support in induction chemotherapy of patients with acute promyelocytic leukemia and correlation with prognosis]
Campinas, SP : [s.n.], 2024.
1 recurso online (58 p.) : il., digital, arquivo PDF.
Orientador: Katia Borgia Barbosa Pagnano
Dissertação (mestrado profissional) - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Faculdade de Ciências Médicas
Resumo: A leucemia promielocítica aguda (LPA) é um subtipo de leucemia mieloide aguda caracterizada pelo gene de fusão PML: RARa desencadeando o bloqueio da maturação medular em promieloblastos. O tratamento exige administração imediata de ácido trans retinoico e mais recentemente trióxido de...
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Resumo: A leucemia promielocítica aguda (LPA) é um subtipo de leucemia mieloide aguda caracterizada pelo gene de fusão PML: RARa desencadeando o bloqueio da maturação medular em promieloblastos. O tratamento exige administração imediata de ácido trans retinoico e mais recentemente trióxido de arsênico. A LPA é caracterizada por alta taxa de morte precoce, frequentemente devido a complicações hemorrágicas. Este estudo retrospectivo unicêntrico, realizado no Hemocentro da UNICAMP teve como objetivo correlacionar a mortalidade precoce por hemorragia com o cumprimento ou não das recomendações da European LeukemiaNet (ELN) para transfusões profiláticas de hemocomponentes durante a indução do tratamento em pacientes com LPA, analisando os desfechos de sangramento e mortalidade precoce. Foram coletados dados clínicos e laboratoriais de 80 pacientes diagnosticados com LPA entre janeiro de 1999 e julho de 2018. O objetivo principal foi avaliar o desfecho dos pacientes que foram transfundidos ou não de acordo com as recomendações da ELN. Os objetivos secundários incluíram a análise de fatores de risco para morte precoce por hemorragia e a avaliação da quantidade total de transfusões recebidas durante a indução. Os resultados mostraram que a idade ao diagnóstico variou de 18 a 82 anos, com uma mediana de 37 anos. A mortalidade precoce total foi de 25%, (11% protocolo AIDA e 14% protocolo IC-APL), com a maioria dos óbitos relacionados a hemorragia (90%), ocorrendo predominantemente nos primeiros dias após o diagnóstico (1 - 4 dias). Os principais sítios de sangramento foram sistema nervoso central e pulmão. A análise indicou que 63 (78%) dos pacientes não receberam suporte transfusional segundo as recomendações da ELN, com 16 óbitos por hemorragia (25%); 17 pacientes foram transfundidos de acordo com as recomendações, com 2 óbitos (mortalidade 11%) (P=NS). Houve melhora significativa da sobrevida global após a implantação do protocolo IC-APL em comparação com o protocolo AIDA modificado (81% vs 55%, P=0,03). A SG foi superior nos pacientes com idade menor que 40 anos em comparação com o grupo entre 40-70 (88,4% vs. 62,9%; p=0,025). Foram identificados como fatores de risco independentes associados à morte precoce por hemorragia: idade maior que 40 anos, creatinina >1.4mg/dL e RNI superior a 1,5 ao diagnóstico. Embora o manejo da LPA tenha melhorado ao longo dos anos, a mortalidade precoce por hemorragia continua a ser um desafio significativo. A falta de padronização validada para identificar pacientes de risco hemorrágico e a adesão inadequada às diretrizes de transfusão são aspectos críticos que precisam ser abordados. A elevada taxa de mortalidade por hemorragia destaca a necessidade de vigilância intensiva e intervenções precoces em pacientes com LPA. Apesar das limitações do estudo, incluindo seu tamanho amostral reduzido e a natureza retrospectiva do mesmo, os achados sugerem que o cumprimento das recomendações da ELN pode estar associado a melhores desfechos. Este trabalho serve como um estudo piloto para futuras pesquisas que explorem a relação entre práticas clínicas simples, como transfusões profiláticas e exames laboratoriais periódicos, e a redução das taxas de mortalidade precoce. Melhorar a adesão às diretrizes validadas são passos cruciais para otimizar o tratamento da LPA e aumentar as taxas de sobrevida em uma doença que, apesar de sua gravidade, é potencialmente curável
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Abstract: Acute promyelocytic leukemia (APL) is a subtype of acute myeloid leukemia characterized by the PML::RARa fusion gene, which blocks bone marrow maturation in promyeloblasts. Treatment requires immediate administration of all-trans retinoic acid and, more recently, arsenic trioxide. APL is...
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Abstract: Acute promyelocytic leukemia (APL) is a subtype of acute myeloid leukemia characterized by the PML::RARa fusion gene, which blocks bone marrow maturation in promyeloblasts. Treatment requires immediate administration of all-trans retinoic acid and, more recently, arsenic trioxide. APL is characterized by a high rate of early death, often due to hemorrhagic complications. This retrospective, single-center study, conducted at the Blood Center of UNICAMP, aimed to correlate early mortality due to hemorrhage with compliance or not with the European LeukemiaNet (ELN) recommendations for prophylactic transfusions of blood components during treatment induction in patients with APL, analyzing the outcomes of bleeding and early mortality. Clinical and laboratory data were collected from 80 patients diagnosed with APL between January 1999 and July 2018. The main objective was to evaluate the outcome of patients who were transfused or not according to the ELN recommendations. Secondary objectives included the analysis of risk factors for early death from hemorrhage and the assessment of the total number of transfusions received during induction. The results showed that the age at diagnosis ranged from 18 to 82 years, with a median of 37 years. Early mortality was 25%, with most hemorrhage-related deaths (90%) occurring predominantly in the first few days after diagnosis. The main sites of bleeding were the central nervous system and lung. The analysis indicated that 63 (78%) of the patients did not receive transfusion support according to the ELN recommendations, with 16 deaths due to hemorrhage (25%); 17 patients were transfused according to the recommendations, with 2 deaths (mortality 11%) (P=NS). There was a significant improvement in overall survival after implementation of the ICAPL protocol compared with the modified AIDA protocol (81% vs 55%, P=0.03). OS was superior in patients younger than 40 years compared to the group between 40 and 70 years (88.4% vs. 62.9%; p=0.025). The following independent risk factors were identified as being associated with early death from hemorrhage: age older than 40 years, creatinine >1.4mg/dL, and INR greater than 1.5 at diagnosis. Although the management of APL has improved over the years, early mortality from hemorrhage remains a significant challenge. The lack of validated standardization to identify patients at risk of hemorrhage and inadequate adherence to transfusion guidelines are critical issues that need to be addressed. The high mortality rate from hemorrhage highlights the need for intensive surveillance and early interventions in patients with APL. Despite the limitations of the study, including its small sample size and retrospective nature, the findings suggest that compliance with the ELN recommendations may be associated with better outcomes. This work serves as a pilot study for future research exploring the relationship between simple clinical practices, such as prophylactic transfusions and periodic laboratory tests, and the reduction of early mortality rates. Improving adherence to validated guidelines is a crucial step towards optimizing the treatment of APL and increasing survival rates in a disease that, despite its severity, is potentially curable
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Cristiane Camargo Omae
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Cristiane Camargo Omae