Efeitos e mecanismos da ozonioterapia na disfunção temporomandibular articular
Tássia Tillemont Machado
TESE
Português
T/UNICAMP M18e
[Effects and mechanisms of ozone therapy on temporomandibular joint disorder]
Campinas, SP : [s.n.], 2025.
1 recurso online (138 p.) : il., digital, arquivo PDF.
Orientador: Cláudia Herrera Tambeli
Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Instituto de Biologia
Resumo: A ozonioterapia utiliza uma mistura de oxigênio e ozônio (95% O2 e 5% O3) como recurso terapêutico, gerando estresse oxidativo leve ao interagir com biomoléculas do sangue, o que resulta na produção de espécies reativas de oxigênio (ERO) e produtos de oxidação lipídica (POL). Essa abordagem...
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Resumo: A ozonioterapia utiliza uma mistura de oxigênio e ozônio (95% O2 e 5% O3) como recurso terapêutico, gerando estresse oxidativo leve ao interagir com biomoléculas do sangue, o que resulta na produção de espécies reativas de oxigênio (ERO) e produtos de oxidação lipídica (POL). Essa abordagem tem ganhado atenção como estratégia terapêutica para a dor, incluindo aquela associada à disfunção temporomandibular (DTM). O presente estudo teve como objetivo avaliar a eficácia da ozonioterapia na redução da dor relacionada à osteoartrite da articulação temporomandibular (ATM) e na modulação do processo inflamatório, por meio da quantificação das citocinas inflamatórias IL-1ß, TNF-a e da citocina anti-inflamatória IL-10, além de investigar seu potencial protetor na degradação da cartilagem e na regulação das metaloproteinases (MMP) -2 e -9. Para tal, foi utilizado um modelo de indução de osteoartrite química em ratas Wistar fêmeas, mediante administração intra-articular de monoiodoacetato de sódio (MIA). O limiar nociceptivo foi aferido com o teste de von Frey eletrônico adaptado. A administração de MIA promoveu hiperalgesia, evidenciada pela redução dos limiares nociceptivos mecânicos ao longo de 10 dias. No terceiro dia, considerado o pico do processo inflamatório, realizou-se a administração intra-articular da mistura gasosa de oxigênio-ozônio ou oxigênio puro. Ambos os tratamentos induziram analgesia detectável dois dias após, com duração de até sete dias. Para investigar o papel do sistema opioide na analgesia, administrou-se naloxona, um antagonista não seletivo de receptores opioides, ou seu veículo. A naloxona reverteu a analgesia induzida pela mistura oxigênio-ozônio, mas não a promovida pelo oxigênio puro. As citocinas IL-1ß, TNF-a e IL-10 foram quantificadas nos tecidos articulares por ELISA nos dias 4 e 7 após os tratamentos. Verificou-se que a ozonioterapia aumentou os níveis de IL-10 sem alterar IL-1ß e TNF-a, enquanto o oxigênio puro aumentou IL-10 e reduziu IL-1ß e TNF-a. As análises histopatológicas realizadas nos dias 14 e 21 demonstraram que a ozonioterapia teve efeito protetor contra a degradação da cartilagem no dia 14, que não se manteve até o final do experimento. A análise imuno-histoquímica revelou que a MMP-2 é constitutiva na ATM, com escores elevados em animais controle, sem influência do MIA ou da ozonioterapia. Por outro lado, o MIA aumentou a expressão de MMP-9 no côndilo mandibular, modulada positivamente pela ozonioterapia. Os resultados indicam que a analgesia promovida pela ozonioterapia envolve a ativação local do sistema opioide e o aumento de citocinas anti-inflamatórias, enquanto a ação do oxigênio puro associa-se à redução de citocinas pró-inflamatórias e aumento de citocinas anti-inflamatórias, independentemente do sistema opioide. Embora a ozonioterapia tenha demonstrado potencial na modulação da MMP-9, seu efeito protetor não se manteve durante a fase degenerativa do modelo. Esses achados sugerem que a ozonioterapia pode ser uma estratégia promissora para o manejo de processos inflamatórios articulares, mas sua eficácia a longo prazo requer investigação adicional
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Abstract: Ozone therapy involves the therapeutic application of a gas mixture containing 95% oxygen (O2) and 5% ozone (O3), which induces mild oxidative stress by interacting with blood biomolecules. This process generates reactive oxygen species (ROS) and lipid oxidation products (LOP), and it has...
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Abstract: Ozone therapy involves the therapeutic application of a gas mixture containing 95% oxygen (O2) and 5% ozone (O3), which induces mild oxidative stress by interacting with blood biomolecules. This process generates reactive oxygen species (ROS) and lipid oxidation products (LOP), and it has been explored as a potential treatment for pain, including temporomandibular dysfunction (TMD). This study aimed to evaluate the analgesic and anti-inflammatory effects of ozone therapy on osteoarthritis in the temporomandibular joint (TMJ), focusing on its ability to activate the local opioid system, modulate inflammatory cytokines (IL-1ß, TNF-a, and IL-10), protect cartilage, and regulate metalloproteinases (MMP) -2 and -9. In this study, sodium monoiodoacetate (MIA) was administered intra-articularly to female Wistar rats to induce osteoarthritis, and mechanical nociceptive thresholds were measured using an adapted electronic von Frey test. MIA induced hyperalgesia, evident as a reduction in nociceptive thresholds over 10 days. On day 3, at the peak of inflammatory hyperalgesia, intra-articular administration of either an oxygen-ozone mixture or pure oxygen produced analgesia within two days, lasting up to seven days. Naloxone, a non-selective opioid receptor antagonist, reversed the analgesic effect of the oxygen-ozone mixture but not that of pure oxygen. Cytokine analysis revealed that ozone therapy increased IL-10 levels without altering IL-1ß and TNF-a concentrations, whereas pure oxygen increased IL-10 and reduced IL-1ß and TNF-a levels. Histopathological analyses showed a protective effect of ozone therapy against cartilage degradation on day 14, which was not maintained by day 21. Immunohistochemical findings indicated that MMP-2 was constitutively expressed in the TMJ and unaffected by MIA or ozone therapy, while MIA-induced elevation of MMP-9 in the mandibular condyle was mitigated by ozone therapy. In conclusion, ozone therapy exerts analgesic effects in the TMJ via opioid system activation and increased anti-inflammatory cytokines, whereas pure oxygen achieves similar outcomes through modulation of inflammatory cytokines without involving the opioid system. Despite its potential to regulate MMP-9, ozone therapy did not demonstrate sustained cartilage protection in the degenerative phase of osteoarthritis. These findings suggest a promising, yet limited, role for ozone therapy in managing TMJ-associated inflammation and pain, warranting further investigation for long-term efficacy
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Aberto
Tambeli, Cláudia Herrera, 1969-
Orientador
Minatel, Elaine, 1976-
Avaliador
De La Torre, Giancarlo Canales, 1987-
Avaliador
Bonjardim, Leonardo Rigoldi
Avaliador
Zwir, Liete Maria Liarte Figueiredo
Avaliador
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Tássia Tillemont Machado
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Tássia Tillemont Machado