O futuro ancestral e o (matri) gestar potências para a educação da infância : entre Moçambique e Brasil
Monalisa Aparecida do Carmo
TESE
Português
T/UNICAMP C213f
[The ancestral future and the (matri) managing powers for childhood education]
Campinas, SP : [s.n.], 2024.
1 recurso online (204 p.) : il., digital, arquivo PDF.
Orientador: Heloísa Andreia de Matos Lins
Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Faculdade de Educação.
Resumo: Considerando os processos de resistência que atravessam os povos africanos e afrodiaspóricos, em meio a um projeto que visa o apagamento dos nossos corpos e filosofias, caminho no sentido de compreender como as redes de resistência intergeracionais constroem saberes e práticas que arquitetam...
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Resumo: Considerando os processos de resistência que atravessam os povos africanos e afrodiaspóricos, em meio a um projeto que visa o apagamento dos nossos corpos e filosofias, caminho no sentido de compreender como as redes de resistência intergeracionais constroem saberes e práticas que arquitetam a maternagem negra e inventam modos de conceber e educar as infâncias negras; entendendo que, apesar das imposições que se consolidam em linhas duras, é possível ser envolvida pelas linhas flexíveis e de fuga que se fazem presentes nos agenciamentos arquitetados no cotidiano. Baseio nos debates e conceitos sobre a maternidade no Brasil que não levam em consideração as nuances da maternagem africana e afro diaspórica, assim, trilho caminhos guiados pela possibilidade de organização de subjetividades políticas nos espaços de aquilombamento construídos no entorno das crianças negras, o que vai ao encontro a referências que ressaltam a matrifocalidade desses processos educativos diante de conceitos como: matrigestar, matripotências e matricomunidades. Partindo do referencial cartográfico, vou de encontro à comunidade Chinonanquila, localizada no sul de Moçambique, para um estudo que assume os meus movimentos de questionamento, enquanto mulher preta marcada pela experiência negra no Brasil. Um desafio orientado por trocas, conversas e entrevistas que se colocam abertas aos atravessamentos e acontecimentos presentes durante a pesquisa, indicando os cenários de imposição colonial e resistências no cotidiano das crianças. A partir disso, me deparo com os saberes tradicionais em disputa com a colonialidade, e assim emergem pistas indicadas pelas crianças que denunciam uma percepção de direito associada aos deveres; o apagamento da língua(gem) moçambicana e sua proibição nas escolas; o racismo que não é nomeado e tratado como algo distante a um país africano. Foi nesse cenário que identifiquei resistências através das crianças que buscam meios de aprender a língua, das lideranças, avós e avôs que insistem em ensinar; e das avós e mães que fazem das machambas um espaço de cultivo e ensinamentos tradicionais de uma relação com a terra e o cuidado
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Abstract: Considering the processes of resistance that affect African and Afro-diasporic peoples, in the midst of a project that aims to erase our bodies and philosophies, a path towards understanding how intergenerational resistance networks build knowledge and practices that architect black...
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Abstract: Considering the processes of resistance that affect African and Afro-diasporic peoples, in the midst of a project that aims to erase our bodies and philosophies, a path towards understanding how intergenerational resistance networks build knowledge and practices that architect black motherhood and invent ways of conceiving and educating black childhoods; understanding that, despite the impositions that are consolidated in hard lines, it is possible to be involved by the flexible and escape lines that are present in the arrangements designed in everyday life. I base it on debates and concepts about motherhood in Brazil that do not take into account the nuances of African and Afro-diasporic mothering, thus, I follow paths guided by the possibility of organizing political subjectivities in the spaces of quilombomento built around black children, which will in line with references that highlight the matrifocality of these educational processes in the face of concepts such as: matrigestar, matripotency and matricommunities. Starting from the cartographic reference, I go to the Chinonanquila community, located in the south of Mozambique, for a study that takes on my movements of questioning, as a black woman marked by the black experience in Brazil. A challenge guided by exchanges, conversations and interviews that are open to the crossings and events present during the research, indicating the scenarios of colonial imposition and resistance in the children's daily lives. From this, I come across traditional knowledge in dispute with coloniality, and thus clues emerge indicated by children that denounce a perception of rights associated with duties; the erasure of the Mozambican language and its ban in schools; racism that is not named and treated as something distant from an African country. It was in this scenario that I identified resistance from children who seek ways to learn the language, from leaders, grandmothers and grandfathers who insist on teaching; and the grandmothers and mothers who make the machambas a space for cultivation and traditional teachings of a relationship with the land and care
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Aberto
Lins, Heloísa Andreia de Matos, 1974-
Orientador
Nivagara, Daniel
Avaliador
Santos, Elisabete Figueroa dos, 1985-
Avaliador
Jovino, Ione da Silva
Avaliador
Oliveira, Fabiana de
Avaliador
O futuro ancestral e o (matri) gestar potências para a educação da infância : entre Moçambique e Brasil
Monalisa Aparecida do Carmo
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