A performatividade da ciência econômica e o debate a respeito da Crise Financeira Global de 2007-8
Hugo Leonardo de Jesus
DISSERTAÇÃO
Português
T/UNICAMP J499p
[Performativity of economics and the 2007-8 Global Financial Crisis debate]
Campinas, SP : [s.n.], 2024.
1 recurso online (136 p.) : il., digital, arquivo PDF.
Orientadores: José Ricardo Fucidji, Alex Wilhans Antonio Palludeto
Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Instituto de Economia
Resumo: A crise financeira global de 2007-8 precipitara a multiplicação de reflexões críticas a respeito da natureza da relação entre a ciência econômica e seu objeto. Em oposição a uma certa compreensão de fundo naturalista (positivista) acerca do relacionamento em questão – que tende a privilegiar...
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Resumo: A crise financeira global de 2007-8 precipitara a multiplicação de reflexões críticas a respeito da natureza da relação entre a ciência econômica e seu objeto. Em oposição a uma certa compreensão de fundo naturalista (positivista) acerca do relacionamento em questão – que tende a privilegiar interpretações de momentos de ruptura calcadas em perturbações exógenas e imediatas a estados estacionários automantidos (manuteníveis) por inércia – autores de alinhamento heterodoxo têm aventado a possibilidade de uma atuação recíproca entre o conhecimento produzido a partir da ciência econômica dominante e o ambiente econômico em si. A referida leitura alternativa contida na heterodoxia sugere como resultante de tal relação o poder de gerar implicações do ponto de vista mesmo da gestação daquele colapso de origem imobiliária. Considerando-se, então, a um só tempo, (i) o interesse sobre o entendimento ulterior desta relação potencialmente recursiva entre a ciência econômica e seu objeto e (ii) a rica oportunidade oferecida pelo caso da crise financeira como objeto de análise, torna-se oportuno introduzir a perspectiva da performatividade da ciência econômica de modo a enquadrar conceitualmente o que pretende ser, mais amplamente, um esforço interpretativo daquele momento de colapso. Isto pois, como nos chama a atenção Svetlova (2012, p. 419), à primeira vista, a tese de performatividade conforme avançada em seus mais importantes registros (CALLON, 1998; MACKENZIE, 2006), especialmente em sua manifestação mais forte, fornece suporte direto à suspeição dos modelos implicados no contexto da crise. Empreendendo um esforço de revisão sistemática, com foco sobre as contribuições interpretativas da crise do ponto de vista da performatividade da ciência econômica que viabilizarão nossas considerações finais, nos pomos a compreender até que ponto ou de que forma seria razoável atribuir um papel performativo à ciência econômica no processo a conduzir à crise financeira global. E mais especificamente, à luz das contribuições amealhadas ao longo de nosso segundo capítulo, intentamos verificar a hipótese da ocorrência de episódio performativo – seguido do fenômeno contraperformativo a ele associado – aos moldes do que haveria tomado lugar no caso canônico contido no episódio de outubro de 1987, conforme registrado pelo estudo seminal de MacKenzie e Millo (2003). A análise da literatura recorrida indica, entretanto, a operação de um fenômeno consideravelmente mais difuso e subterrâneo, por assim dizer, compatível com a relativamente discreta atuação de elementos de natureza institucional conforme exposto em Dequech (2018), por exemplo. Em tal contexto, chamam a atenção, por um lado, a capacidade de coordenação descentralizada inerente ao uso disseminado de modelos culturalmente estabelecidos (MACKENZIE; SPEARS, 2014a,b) e, por outro, o poder legitimador de discursos e práticas subjacente ao mainstream econômico que, na prática, culmina por patrocinar intelectualmente reformas de cunho regulatório da maior importância do ponto de vista da gestão macroprudencial – e da estabilidade sistêmica, portanto. Palavras-chave: performatividade da ciência econômica, crise financeira global, instituições
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Abstract: The global financial crisis of 2007-8 prompted the proliferation of critical reflections on the nature of the relationship between economics and its object. In opposition to a certain naturalist (positivist) understanding of said relationship – which tends to privilege interpretations...
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Abstract: The global financial crisis of 2007-8 prompted the proliferation of critical reflections on the nature of the relationship between economics and its object. In opposition to a certain naturalist (positivist) understanding of said relationship – which tends to privilege interpretations about moments of collapse as resulting from exogenous disturbances to steady states self-maintained (maintainable) through inertia – heterodox authors have raised the possibility of a reciprocal action between the knowledge produced from mainstream economics and the economic environment itself. The aforementioned alternative comprehension present in heterodoxy suggests as the result of such a relationship the potential to produce implications from the standpoint of the very inception of that real estate-based collapse. Considering then, simultaneously, (i) the interest in further understanding this potentially recursive relationship between economics and its object and (ii) the rich opportunity offered by the case of the global financial crisis as an object of analysis, it becomes of interest to introduce the perspective of the performativity of economics in order to conceptually frame what sets out to be, broadly speaking, an interpretative effort of the phenomenon in question. This is so because, as Svetlova (2012, p. 419) points out, at first glance, the thesis of performativity as advanced in its most important records (CALLON, 1998; MACKENZIE, 2006), especially in its strongest manifestation, provides direct support for the suspicion of the models involved in the context of that crisis. Resorting to a systematic review endeavour focusing on the interpretative contributions of the crisis that will enable our final considerations, we set out to understand to what extent or the fashion which it would be reasonable to attribute a performative role to economics in the process leading up to the global financial crisis. And more specifically, in light of the contributions gathered throughout our second chapter, we attempt to validate the hypothesis of a performative episode – followed by the counterperformative phenomenon associated with it – along the lines of the canonical case of October 1987 as per the seminal study by MacKenzie and Millo (2003). Analysis of the resorted literature indicates, however, the operation of a phenomenon which is considerably more diffuse and subterranean, so to speak, compatible with the relatively discreet action of elements of an institutional character as advanced in Dequech (2018), for example. In such a context, attention is drawn, on the one hand, to the capacity for decentralized coordination inherent in the widespread use of culturally established devices (MACKENZIE; SPEARS, 2014a,b); and, on the other, to the legitimizing power of discourses and practices underlying the economic mainstream which, in practice, translates to intellectual sponsorship of critical (regulatory) reforms from a macroprudential management standpoint – hence, from a systemic stability one as well. Keywords: performativity of economics, global financial crisis, institutions
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Requisitos do sistema: Software para leitura de arquivo em PDF
Aberto
Fucidji, José Ricardo, 1971-
Orientador
Palludeto, Alex Wilhans Antonio, 1986-
Coorientador
Neris Junior, Celso Pereira, 1987-
Avaliador
Boff, Emmanoel de Oliveira
Avaliador
A performatividade da ciência econômica e o debate a respeito da Crise Financeira Global de 2007-8
Hugo Leonardo de Jesus
A performatividade da ciência econômica e o debate a respeito da Crise Financeira Global de 2007-8
Hugo Leonardo de Jesus