Por uma gênese do "piano colaborativo" : sua relação com a prática extempore
Natália Damaceno Spostes
DISSERTAÇÃO
Português
T/UNICAMP Sp67p
[Towards a genesis of "collaborative piano"]
Campinas, SP : [s.n.], 2024.
1 recurso online (122 p.) : il., digital, arquivo PDF.
Orientador: Edmundo Pacheco Hora
Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Instituto de Artes
Resumo: Neste trabalho, buscou-se, por meio de pesquisa bibliográfica, a identificação da gênese do "piano colaborativo". Durante a investigação, concentrada na música praticada na Itália, compreendeu-se que a função denominada "colaboração" — comum entre as atribuições às quais o pianista pode se...
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Resumo: Neste trabalho, buscou-se, por meio de pesquisa bibliográfica, a identificação da gênese do "piano colaborativo". Durante a investigação, concentrada na música praticada na Itália, compreendeu-se que a função denominada "colaboração" — comum entre as atribuições às quais o pianista pode se dedicar nos dias de hoje — se iniciou séculos atrás. A análise dos dados encontrados indica que o nascimento do acompanhamento por meio de instrumentos de teclados, bem como seus fundamentos iniciais, ocorreu nos primeiros anos do século XVII, demonstrando a existência de uma interatividade no fazer musical entre tecladista e solista com base no texto poético. A metodologia baseou-se em uma bibliografia que incluiu documentos redigidos na primeira década de 1600 e autores da literatura moderna que discorrem acerca das características da música do início do século XVII, principalmente no que se refere ao nascimento do baixo contínuo e o surgimento das primeiras óperas. Para além da bibliografia consultada, foi realizado estudo de um trecho selecionado da ópera L’Orfeo (1607), composta por Claudio Monteverdi (1567–1643), para exemplificar a construção harmônica na prática interpretativa musical. A partir dos dados coletados, foi possível a percepção de que o acompanhamento vocal era realizado de forma colaborativa entre cantor e tecladista, que tinham por propósito atingir um resultado sonoro que provocasse efeito emocional no ouvinte. Foi constatado que o acompanhamento instrumental era, no entanto, realizado de maneira improvisatória — a prática extempore. Ao contrário do que se vê nos dias de hoje, as partituras para música vocal na época, ofereciam informações insuficientes para o músico que se designava a função de acompanhador e a construção harmônica era, portanto, realizada pelo tecladista simultaneamente à sua execução junto ao cantor. Também, dados encontrados demonstraram estudos de técnicas improvisatórias nos Conservatórios de Nápoles (Itália) ao longo do século XVII, onde "tecladistas colaboradores" buscavam aprimorar suas habilidades, dentre elas, a construção de acordes a partir da linha destinada ao baixo contínuo. Após o final da investigação concluiu-se que: a apropriação da maneira pela qual os primeiros fundamentos do acompanhamento, destacados na pesquisa por meio da gênese retratada, podem contribuir para a carreira do pianista colaborador nos dias de hoje, possibilitando desenvolvimento de habilidades que aprimoram a reconstrução sonora instrumental em favor da interpretação em nossos tempos
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Abstract: In this work, we have sought to identify the genesis of "collaborative piano" through bibliographical research. From the investigation, which focused on music in Italy, we have come to understand that the function called "collaboration"—common among the tasks to which pianists can dedicate...
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Abstract: In this work, we have sought to identify the genesis of "collaborative piano" through bibliographical research. From the investigation, which focused on music in Italy, we have come to understand that the function called "collaboration"—common among the tasks to which pianists can dedicate themselves today—began centuries ago. The analysis of the data indicates that the birth of accompaniment by keyboard instruments, as well as its initial practice, occurred in the early years of the seventeenth century, when there was interactivity between keyboardist and soloist based on a poetic text. The methodology was based on documents written in the 1610s and modern literature that describes the characteristics of music from the early 17th century, especially with regard to the birth of basso continuo and the emergence of the first operas. In addition to the sources consulted, a study was carried out on a selected excerpt from the opera L’Orfeo (1607), composed by Claudio Monteverdi (1567–1643), to exemplify harmonic construction in musical performance. Based on the data collected, it was possible to perceive that vocal accompaniment was performed collaboratively between singer and keyboardist, the purpose being to achieve a sound result that would provoke an emotional effect on the listener. It was found that instrumental accompaniment was, however, performed in an improvised manner—extempore practice. Contrary to today’s practice, scores for vocal music at the time offered skeleton information for the musicians designated as accompanist, and harmonic construction was therefore performed by the keyboardist during its performance with the singer. Furthermore, data found demonstrated studies of improvisational techniques in the Conservatories of Naples (Italy) throughout the 17th century, where "collaborative keyboardists" sought to improve their skills, including the construction of chords in the basso continuo line. The investigation concluded that appropriation of the manner in which keyboard accompaniment was founded can contribute to the career of the collaborative pianist today, by developing skills that improve instrumental sound reconstruction in our times
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Por uma gênese do "piano colaborativo" : sua relação com a prática extempore
Natália Damaceno Spostes
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