Impacto da pandemia da COVID-19 na saúde sexual e reprodutiva em Moçambique e no Brasil : uma avaliação epidemiológica na perspectiva das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
Charles M'poca Charles
TESE
Multilíngua
T/UNICAMP C38s
[Assessing the impact of the COVID-19 pandemic on sexual and reproductive health in Brazil and Mozambique from the perspective of the Sustainable Development Goals]
Campinas, SP : [s.n.], 2024.
1 recurso online (236 p.) : il., digital, arquivo PDF.
Orientador: Rodolfo de Carvalho Pacagnella
Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Faculdade de Ciências Médicas
Resumo: Introdução: A pandemia da COVID-19 sobrecarregou os sistemas de saúde, especialmente em áreas com recursos limitados, afetando severamente os Serviços de Saúde Sexual e Reprodutiva e resultando na redução ou interrupção de serviços essenciais, aumentando a vulnerabilidade das mulheres em...
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Resumo: Introdução: A pandemia da COVID-19 sobrecarregou os sistemas de saúde, especialmente em áreas com recursos limitados, afetando severamente os Serviços de Saúde Sexual e Reprodutiva e resultando na redução ou interrupção de serviços essenciais, aumentando a vulnerabilidade das mulheres em idade reprodutiva. Isso contribuiu para um aumento no risco de gestações não planejadas, complicações de aborto e piores desfechos maternos e neonatais, comprometendo os esforços globais para reduzir a mortalidade materna e alcançar metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). No entanto, a implementação de medidas não farmacêuticas e a vacinação contra a COVID-19 foram cruciais para mitigar a propagação da doença e reduzir suas consequências graves, incluindo em gestantes e puérperas. O surgimento de variantes mais transmissíveis da SARS-COV-2 apresenta novos desafios na compreensão da infecção nessas populações e no impacto contínuo da pandemia na saúde sexual e reprodutiva. Objetivo: O estudo proposto visa avaliar os aspectos epidemiológicos do impacto da pandemia da COVID-19 na Saúde Sexual e Reprodutiva em Moçambique e no Brasil. Para alcançar esse objetivo, foram definidos os seguintes objetivos específicos: conscientizar sobre a redução dos impactos da COVID-19 na saúde materna e perinatal na África; avaliar o impacto da COVID-19 nas vendas de métodos contraceptivos modernos no Brasil; avaliar o conhecimento e aceitabilidade de doses adicionais da vacina contra a COVID-19 em um grupo de mulheres brasileiras em idade reprodutiva (gestantes e não gestantes) e homens; estimar a prevalência da COVID-19 e o impacto da infecção por SARS-CoV-2 nos desfechos maternos em Moçambique; analisar o impacto indireto da pandemia de COVID-19 no número de nascimentos vivos e partos prematuros no Brasil; e avaliar o impacto das variantes de preocupação nos desfechos maternos graves na população obstétrica brasileira. Material e Métodos: Utilizamos uma abordagem multifacetada para atingir nossos objetivos. Isso incluiu a redação de um artigo instigando ação e uma carta ao editor para formar redes colaborativas de estudos sobre COVID-19 na gestação em países de baixa e média renda, incentivando a cooperação entre eles. Além disso, realizamos uma análise temporal das vendas mensais de métodos contraceptivos de curta e longa duração no Brasil, identificando variações significativas mensais superiores a 5%. Conduzimos um estudo transversal para avaliar os preditores de aceitação e hesitação em relação às doses adicionais da vacina COVID-19 entre gestantes, não grávidas em idade reprodutiva e parceiros no Brasil, usando análises bivariadas e multivariadas. Também realizamos um estudo prospectivo de coorte para avaliar os desfechos maternos em uma população obstétrica em Maputo, Moçambique. Utilizando dados do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC) do Brasil, conduzimos um estudo populacional com técnicas de aprendizado de máquina e escores de propensão para estimar a prevalência de parto prematuro antes e durante a pandemia da COVID-19. Por fim, realizamos um estudo ecológico comparativo das características sociodemográficas e clínicas dos participantes durante os períodos de predominância das variantes Omicron, Delta e Gama no Brasil, estimando as chances de desfechos maternos graves nessas regiões por meio de análises bivariadas e multivariadas. Resultados: Dois artigos foram publicados, um de comunicação breve e outro de comentário, destacando a importância da colaboração entre países de baixa e média renda nas pesquisas sobre COVID-19 para fornecer evidências robustas sobre o impacto da pandemia na saúde materna e perinatal. Observou-se um aumento não significativo nas vendas de anticoncepcionais em 2020 em comparação com 2019, com uma média mensal variando de 12,8 a 13,0 milhões de unidades. Houve aumento nas vendas de anticoncepcionais injetáveis entre fevereiro e maio de 2020, e de pílulas de contracepção de emergência entre junho e julho de 2020. O DIU/Implante hormonal apresentou três padrões distintos de vendas. As grávidas mostraram-se mais hesitantes em relação ao reforço da vacina contra a COVID-19 do que as não grávidas, assim como os parceiros do sexo masculino. Fatores associados à redução da aceitação da vacina incluíram baixa renda familiar, religião evangélica e preocupações com segurança e importância percebida da vacina. A prevalência de COVID-19 foi de 9,2%, sendo metade das gestantes sintomáticas. Vulnerabilidades à infecção incluíram falta de companheiro, gravidez e consumo de álcool. Não houve diferenças significativas nos resultados entre grupos positivos e negativos para COVID-19. As taxas de parto prematuro aumentaram durante a pandemia, especialmente no Sul, enquanto a região Norte registrou uma redução significativa. A variante Omicron foi associada a um menor risco de internação em UTI e morte materna em comparação com as variantes Gamma e Delta. Sintomas na admissão aumentaram o risco de internação em UTI e morte materna durante o período de predominância da variante Omicron. Conclusão: As vendas de anticoncepcionais modernos variaram em 2020, destacando-se o aumento do implante de DIU-LNG/ENG no setor privado, indicando desigualdades no acesso à contracepção. Grávidas enfrentam obstáculos para aceitar a vacina de reforço da COVID-19, influenciados por fatores como renda, crenças e preocupações com segurança. Desinformação afeta negativamente essa população vulnerável. Mulheres grávidas e puérperas têm maior risco de contrair COVID-19, mesmo sem sintomas, especialmente aquelas sem parceiro e que consomem álcool. Testes universais e acompanhamento são essenciais. O aconselhamento durante a gravidez sobre medidas preventivas da COVID-19 é vital, mas mais pesquisas são necessárias. Nossa análise revela disparidades regionais crescentes no número de partos prematuros no Brasil durante a pandemia. A variante Ômicron está associado a um menor risco de desfechos maternos graves, mas mulheres grávidas e pós-parto sintomáticas ainda enfrentam riscos, especialmente se apresentam tosse, febre ou dispneia na admissão
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Abstract: Introduction: The COVID-19 pandemic has put immense pressure on health systems, especially in areas with limited resources, resulting in a significant impact on sexual and reproductive health services. This has led to a higher risk of negative maternal and neonatal outcomes, hindering...
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Abstract: Introduction: The COVID-19 pandemic has put immense pressure on health systems, especially in areas with limited resources, resulting in a significant impact on sexual and reproductive health services. This has led to a higher risk of negative maternal and neonatal outcomes, hindering global efforts to reduce maternal mortality and achieve sustainable development goals. However, implementing non-pharmaceutical measures and administering COVID-19 vaccines have been essential in limiting the spread of the disease and reducing its severe effects, particularly among pregnant and postpartum women. The emergence of more contagious variants of SARS-COV-2 presents new challenges in comprehending the infection's effects on these populations and the pandemic's ongoing impact on sexual and reproductive health. Objective: This study aims to evaluate the impact of COVID-19 on Sexual and Reproductive Health in Mozambique and Brazil. The study objectives include raising awareness about reducing COVID-19 impacts on maternal and perinatal health in Africa, assessing the impact of COVID-19 on contraceptive sales in Brazil, evaluating the knowledge and acceptability of additional COVID-19 vaccine doses on reproductive-aged Brazilians and partners, estimating COVID-19 prevalence and impact on maternal outcomes in Mozambique, analysing indirect impacts of the pandemic on premature births in Brazil, and evaluating the impact of COVID-19 variants of concerns (VOCs) on maternal outcomes in the Brazilian obstetric population. Material and Methods: We have adopted a comprehensive approach to achieve our goals, which includes various research studies. We have written an article to urge action and a letter to the editor to encourage collaboration between studies on COVID-19 during pregnancy in low- and middle-income countries. Besides, we conducted a temporal analysis of monthly sales of short- and long-acting contraceptive methods in Brazil, identifying significant monthly variations greater than 5%. We also conducted a cross-sectional study to evaluate predictors of acceptance and hesitancy toward additional COVID-19 vaccine doses among pregnant women, non-pregnant people of reproductive age, and partners in Brazil, using bivariate and multivariate analyses. We conducted a prospective cohort study to evaluate maternal outcomes in an obstetric population in Maputo, Mozambique. Using data from Brazil's Live Birth Information System (SINASC), we conducted a population-based study using machine learning techniques and propensity scores to estimate the prevalence of preterm birth before and during the COVID-19 pandemic. Finally, we conducted a comparative ecological study of the sociodemographic and clinical characteristics of the participants during periods of predominance of the Omicron, Delta and Gamma variants in Brazil, estimating the chances of severe maternal outcomes in these regions through bivariate and multivariate analyses. Results: Two articles were lished - one a brief communication and the other a commentary - emphasizing the importance of collaboration between low- and middle-income countries in research on COVID-19. They also highlighted the need for robust evidence on how the pandemic affects maternal and perinatal health. A non-significant increase in contraceptive sales was observed in 2020 compared to 2019, with a monthly average of 12.8 to 13.0 million units. There was an increase in sales of injectable contraceptives between February and May 2020, and of emergency contraception pills between June and July 2020. Sales of IUD/hormonal implants showed three distinct patterns. Pregnant women and their male partners were more hesitant about getting a COVID-19 vaccine booster than non-pregnant women. Factors associated with reduced vaccine acceptance included low family income, evangelical religion, and concerns about the safety and perceived importance of the vaccine. Among pregnant women, the prevalence of COVID-19 was 9.2%, with half being symptomatic. Vulnerabilities to infection included lack of a partner, pregnancy, and alcohol consumption. There were no significant differences in outcomes between COVID-19 positive and negative groups. Premature birth rates increased during the pandemic, especially in the South, while the North region recorded a significant reduction. The Omicron variant was associated with a lower risk of ICU admission and maternal death compared to the Gamma and Delta variants. Symptoms on admission increased the risk of ICU admission and maternal death during the period of the predominance of the Omicron variant. Conclusion: In 2020, sales of modern contraceptives varied. However, pregnant women are facing challenges with the acceptance of COVID-19 booster vaccines due to misinformation. This misinformation can negatively impact this vulnerable group. Additionally, pregnant and postpartum women are at a higher risk of contracting COVID-19, so it is important to have universal testing and follow-up procedures in place. Our analysis shows an increasing regional disparity in the frequency of premature births in Brazil during the pandemic. The Omicron variant is associated with a lower risk of severe maternal outcomes. Nevertheless, symptomatic pregnant and postpartum women still have a significant risk of severe outcomes
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Aberto
Pacagnella, Rodolfo de Carvalho, 1974-
Orientador
Baccaro, Luiz Francisco Cintra, 1980-
Avaliador
Pinheiro, Anderson, 1981-
Avaliador
Hatanaka, Alan Roberto
Avaliador
Aguiar, Regina Amélia Lopes Pessoa de
Avaliador
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