De casa ou de rua : do que é feita uma população
Joana Mostafa
TESE
Português
T/UNICAMP M855d
[Homeless or within homes]
Campinas, SP : [s.n.], 2024.
1 recurso online (259 p.) : il., digital, arquivo PDF.
Orientador: Bárbara Geraldo de Castro
Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Resumo: Os moradores de rua sustentam suas vidas por meio de diversos arranjos materiais e relacionais que possibilitam fazer da rua um tipo de casa. Esse fato é extremamente incômodo para nós. Ele aciona as diversas forças que almejam a contenção e a devolução dos corpos e das coisas para dentro...
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Resumo: Os moradores de rua sustentam suas vidas por meio de diversos arranjos materiais e relacionais que possibilitam fazer da rua um tipo de casa. Esse fato é extremamente incômodo para nós. Ele aciona as diversas forças que almejam a contenção e a devolução dos corpos e das coisas para dentro dos muros das casas ou das instituições. Tentamos, a todo custo, reestabelecer uma fronteira clara entre a casa e a rua. Este é o objeto deste trabalho: o fazer e o desfazer de fronteiras entre as casas e a rua, a micropolítica dos lugares de se morar. Realizo esse trajeto por dois caminhos. O primeiro, ao acompanhar momentos críticos de contestação e de afirmação da vida na rua, como uma operação de limpeza urbana e um equipamento de limpeza pessoal, o banheiro público, ambos no centro de Brasília. Persegui, em especial, os arranjos materiais que tornam a moradia de mulheres na rua possível, embora instável e contida dentro de certos limites – sempre em disputa. Tais arranjos também atestam diversas continuidades entre as casas e a rua, em especial entre o que conceituei como a casa popular, notadamente marcada pelo gênero e pela raça. Assim, nem a casa é tão Casa; nem a rua é tão Rua, como exigem as nossas ansiedades racistas do ordenamento urbano, da sujeira e da segurança. Não obstante, processos incessantes de fronteirização entre as casas e a rua estão a agir e colocam imensos desafios para o reconhecimento dos modos de vida da rua, inclusive para a sua nomeação, medição e caracterização. No segundo caminho, pulei de volta a cerca das instituições, ao analisar o problema de transformar uma massa viva em população, a partir de duas experiências de censo dos moradores de rua. Uma, ao acompanhar o censo de Brasília, levado a cabo em 2022; e outra com o IBGE, em estudo para a proposição de seu primeiro censo nacional, no município de Niterói, em 2023. Problematizando o tema do censo dos moradores de rua em nível nacional, enfrento a grande barreira de colocar em ato uma rua que esteja em continuidade com a casa, ao quebrar o seu teto e os seus muros
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Abstract: Homeless people sustain their lives through a multiplicity of material and relational arrangements that turn the streets into a type of household. This is an extremely upsetting fact for us. It activates diverse forces that intent to restrain and devolve bodies and things to the inside of...
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Abstract: Homeless people sustain their lives through a multiplicity of material and relational arrangements that turn the streets into a type of household. This is an extremely upsetting fact for us. It activates diverse forces that intent to restrain and devolve bodies and things to the inside of households or institutional walls. We try with all our might to reestablish a clear frontier between the house and the streets. This is the object of this study: the making and unmaking of frontiers between houses and the streets, the micropolitics of housing places. I pursue this by walking two different and complementary paths. The first, by following critical moments of contestation and affirmation of homeless lives, such as an urban sanitation and planning operation and the controversies around the public toilet, both in the city center of Brasília. I followed the material assemblages that make homeless women housing possible on the streets, albeit unstable and contained within certain limits – always in dispute. These assemblages also attest the continuities between households and the streets, in particular between what I have coined the popular household, notably marked by gender and racial relations. Neither the house is so House, nor the street is so Street, as our racist anxieties of urban planning, dirt and security ordering demand. Nevertheless, between houses and the streets, constant processes of frontier setting act and put in motion immense challenges for the recognition of the streets’ ways of living, for its nomination, measurement and characterization. In the second path, I jumped back the fence of institutions to analyze the problem of transforming a life mass into population, through two different field experiences of censuses about homeless people. One by following the Brasília census of 2022, and another with the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), in a study to subsidize the proposal for its first national census, that took place in 2023, in the city of Niterói. Whilst raising diverse issues around the census of the homeless population in a national level, I face the great barrier of enacting a street that is in continuity with the household, by breaking up its walls and ceiling
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Aberto
Castro, Bárbara, 1984-
Orientador
Rui, Taniele, 1982-
Avaliador
Frangella, Simone Miziara
Avaliador
Correa, Ranna Mirthes Sousa
Avaliador
Pires, Roberto Rocha Coelho
Avaliador
De casa ou de rua : do que é feita uma população
Joana Mostafa
De casa ou de rua : do que é feita uma população
Joana Mostafa