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Type: TESE DIGITAL
Title: A questão indígena e o Império : índios, terra, trabalho e violência na província paulista, 1845-1891
Title Alternative: The indigenous question and the Empire : Indians, land, labor and violence in the province of São Paulo, 1845-1891
Author: Dornelles, Soraia Sales, 1983-
Advisor: Chalhoub, Sidney, 1957-
Abstract: Resumo: Esta tese procurou reformular alguns problemas da historiografia paulista da segunda metade do século XIX, a partir da premissa de que a presença e atuação dos índios e o processo que levou, em grande parte, à sua destruição física e cultural, determinaram não só o destino dos índios da região, como também a formação da sociedade paulista e brasileira. Ainda impera uma visão de que o avanço capitalista, através das lavouras de café e da construção de ferrovias, era parte de um processo natural, inevitável, do progresso nacional. Soma-se, ainda, a ideia de que a única solução possível para "a crise de braços da lavoura", expressão comum à época, seria a importação da força de trabalho imigrante europeia. Esses argumentos deixaram de lado o fator da imprevisibilidade da história; excluíram a complexidade real do contexto de tomada de decisões em esferas individuais, de grupo ou de governo. A Lei de Terras de 1850, que tinha como objetivo promover o ordenamento jurídico da propriedade da terra, tornou terras públicas as imensas parcelas do território ocupado por índios de grupos distintos. As denominadas terras devolutas eram passíveis de serem adquiridas por compra de particulares. Assim, o processo de apropriação dos territórios do interior envolveu, em um primeiro momento, escolhas sobre como extraí-los aos diferentes grupos indígenas e, posteriormente, garantias de que as reivindicações e lutas indígenas contra essas invasões fossem eliminadas. Havia, para os índios, uma grande insegurança quanto à propriedade da terra que ocupavam, e a liberdade frente às relações de trabalho que iam sendo impostas. No interior paulista, a apropriação das terras indígenas se deu por meio da criação de aldeamentos em terras devolutas com o objetivo de fazer os índios integrarem-se à população nacional, até o ponto em que não mais se pudesse diferenciá-los e, com isso, fosse possível retomar as terras para o Estado, extinguindo os aldeamentos. Os distintos grupos encontraram formas variadas de impedir esse desligamento com os territórios ocupados e com as próprias identidades indígenas. Para os casos dos grupos que não participaram do sistema de aldeamentos, coube a perseguição genocida, ancorada em práticas conhecidas e apoiadas pelas autoridades, que eram, na maior parte das vezes, grandes proprietários na região. A questão indígena nunca foi um problema de pouca importância, ao contrário, permeava esferas inquestionavelmente centrais às políticas imperiais como terra e trabalho

Abstract: This thesis sought to reformulate some of the problems of the historiography of São Paulo in the second half of the nineteenth century. It¿s based on the premise that the presence and acting of Indians and the process that led in large part to their physical and cultural destruction determined not only the fate of the Indians of the region, but also the formation of São Paulo and Brazilian society. There is still a view that capitalist advancement through coffee plantations and railroad construction was part of an inevitable, natural process of national progress. In addition, there was the idea that the only possible solution to the "crisis of arms" (lack of arms; dearth of labor), a common expression at the time, was importing European immigrant labor force. These arguments leave aside the factor of unpredictability of History; exclude the real complexity of the decision-making context in individual, group, or government spheres. The 1850 Land Law, which had as its objective to promote the juridical ordering of land ownership, made huge plots of territory occupied by Indians of distinct groups in public lands - vacant lands - that could be acquired by private purchase. Thus, the process of appropriation of the countryside territories initially involved choices about how to extract them from different indigenous groups and then ensure that indigenous claims and struggles against these invasions were eliminated. There was, for the Indians, a great insecurity about the ownership of the land they occupied, and freedom from the labor relations that were being imposed. In the countryside of São Paulo, the appropriation of indigenous lands took place through the creation of aldeamentos (settlements) in vacant lands with the purpose of making them integrate with the national population, to the point where it was no longer possible to differentiate them and then, take back the lands to the State, extinguishing the settlements. The different groups found various ways of preventing this disconnection with the occupied territories and with their own indigenous identities. In the cases of groups that did not participate in the village system, genocidal persecution was anchored in practices known and supported by the authorities, most of the time, large landowners in the region. The indigenous question was never an issue of little importance, otherwise it permeated unquestionably central spheres to imperial policies such as land and labor
Subject: Índios
Posse da terra
Trabalho
Violência
Brasil - História - Imperio, 1822-1889
Editor: [s.n.]
Date Issue: 2016
Appears in Collections:IFCH - Dissertação e Tese

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